sexta-feira, 17 de abril de 2015

Paixões Não Correspondidas...

Pág. 261... — Ai Carlos! — Que para sempre, sempre... Júlia levantou-se sem dizer palavra, e lançando sobre mim um olhar de inefável compaixão, saiu rapidamente do quarto. Achei-me só, não sei o que pensei nem se pensei. Sentia-me aturdido da cabeça, exausto do coração — numa depressão de espirito que tocava na estupidez. Se me apontassem urna pistola aos peitos, não levantava o braço para a arredar... Já não sentia pena nem desejo. Parecia-me que começava a morrer; e não achava que morrer custasse muito. Neste estado fiquei não sei que tempo; muito não foi. Percebi que se abria a porta, não tive força para levantar os olhos. Até que senti uma doce e querida mão na minha... era Júlia.. e era Laura também... santo Deus! que estavam ao pé de mim ambas. Júlia tinha a minha mão na sua; e Laura, encostada ao ombro da irmã, deixava cair sobre mim aqueles olhos em que a severidade habitual se tinha relaxado numa indulgência tão doce, numa compaixão tão celeste que, juro por Deus, naquela hora acreditei firmemente que tinha diante de mim dois anjos seus, baixados nas asas da piedade divina para me trazer todo o perdão. toda a misericórdia do céu à minha alma. Como te direi eu, Joana, querida Joaninha, como te direi a ti que me amas, a ti que eu amo — porque te amo, e Deus me castigue, que deve! porque te amo, cegamente, te amo com este infame e abominável coração que Ele me deu — como te hei de eu dizer a ti, e para quê, as palavras que ali dissemos, os protestos que ali fiz, os juramentos que ali se deram, as promessas que ali foram trocadas? Carlos encontra Júlia depois de dias sem se verem, com esse encontro ela passou a ser uma espécie de conexão entre Carlos e Laura, por meio de torpedos, enquanto residia na India. Laura desiste de Carlos e acaba se casando e ao receber essa noticia Carlos foi procurar Júlia. Júlia estava com dengue e por isso Carlos a visitava com uma certa frequência no hospital. Enquanto ele a visitava ele conheceu Georgina e se apaixonou por ela. Carlos foi demitido e com isso teve que ir a guerra, a procura de novos trabalhos, ele se viu isolado pois não se encontrava mais com seus amigos do trabalho todo dia. Em toda essa confusão de emprego aqui, emprego ali, ele conhece uma menina chamada Soledade, uma jovem que trabalhava para uma ONG. Carlos percebe que na verdade o seu verdadeiro amor é Joaninha, porem não deseja ficar com ela pois sabe que qualquer mulher só o fará sofrer. Então ele se afasta dela e à diz que ele se tornará um político. Joaninha enlouqueceu anos depois e acabou morrendo. Georgina organiza uma comunidade religiosa na Inglaterra, onde é uma Abadessa e Carlos tornou-se barão. Frei Dinis ficou a rezar, a velha continuava a trabalhar em sua dobadeira.

A Menina Dos Rouxinóis

Em meu livro conto sobre minhas viagens dentro do meu país, Portugal. Fui convidado para ir a Santarém e escrever minha história. Lá, observando a paisagem, percebi uma menina debruçada na janela. "De como o A. tinha quase completo o seu romance, menos um vestido branco e uns olhos pretos. — Saem verdes os olhos com grande admiração e pasmo o seu. — Verificam-se as conjeturas sobre a misteriosa janela. — A menina dos rouxinóis.”

Liberal X Conservador

Nessa história relaciono o conflito de Dom Miguel I e Dom Pedro IV numa guerra civil portuguesa em 1828, na qual identificamos o choque do liberal contra o conservador. Há uma relação entre Joaninha e seu primo Carlos que podiam ser caracterizados como Dom Miguel e Dom Pedro, pois ambos tem um parentesco próximo, porém ideias completamente opostas: Carlos representa Dom Pedro, pelo fato de ter lutado nesta guerra pelo liberalismo, e Joaninha representa Dom Miguel, por ser conservadora. Dona Francisca era a avó de Joaninha e Carlos que estabelecia uma relação entre os dois, pois ela amava muito Carlos e Joaninha e criava um vínculo entre eles. Porém ela era cega, então Joaninha cuidava muito dela. "Saída do Cartaxo.— A charneca. Perigo iminente em que o A. se acha de dar em poeta e fazer versos.— Última revista do imperador D. Pedro ao exército liberal. – Batalha de Almoster.— Waterloo. — Declara o A. solenemente que não é filósofo e chega à ponte da Asseca."

Amor Impossível?

Na história, pode-se observar que há uma barreira entre o amor de Joaninha e Carlos, por eles serem primos. Também critica-se bastante a Igreja, por exemplo Frei Dinis, um padre que é pai. Outra característica forte do livro é o nacionalismo apresentado nele pelas viagens por Portugal descrevendo o país como lindo, além de que a guerra traz um grande sentimento de nação aos soldados que lutam nela. "Bilhete de manhã da prima ao primo. Enganam a pobre da velha. — Noite maldormida. — Da conversa que teve Carlos com seus botões. — A Joaninha que ele deixara, e a Joaninha que achou. — Obrigações de amor, triste palavra. — A mulher que ele amava, e se ele amava ainda"

O Fim da Viagem...

No fim da viagem em Santarém, se passou o último capítulo da minha história, no qual Carlos descobre que seu verdadeiro pai é o Frei Dinis. Georgina, antiga mulher de Carlos, deixa-o por ter descoberto seu romance com Joaninha. "Filho, meu filho! — arrancou a velha com estertor do peito: — é teu pai, meu filho. Este homem é teu pai, Carlos. O ponderoso velador caiu inerte das mãos do mancebo, e rolou pesado e baço pelo pavimento. Carlos caiu por terra sem sentidos."

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Digressões...

Em minhas digressões, pode se perceber a citação de Dom Quixote e Sancho Pança como uma relação com o mundo espiritualista (Dom Quixote) e materialista (Sancho Pança). Também percebe-se as críticas que fiz à Igreja, como o Frei Dinis sendo pai de Carlos mesmo sendo um padre. Critico a minha grande decepção em relação a sociedade que parece que irá mudar com a guerra civil mas na verdade nada acontece. "O frade era, até certo ponto, o Dom Quixote da sociedade velha. O barão é, em quase todos os pontos, o Sancho Pança da sociedade nova. Menos na graça... Porque o barão é o mais desgracioso e estúpido animal da criação. "